domingo, 7 de fevereiro de 2010

derretido


lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

nos vies

Há esta distinta idéia de retorno à escuridão, ao nada
Onde tudo o que construímos nessa longa estrada
Da vida, nada restará: não há homem são
Que não trema, com um assombro no olhar
Ante tal nefasto pensamento, uma existência inteira
A navegar pelo oceano à beira, tudo em vão,
Tudo perdido neste derradeiro momento:
Da água do mar ficará apenas o gosto amargo do sal
Do mundo, apenas uma brisa, uma curiosidade,
Uma ansiedade por saber de seu final

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Soneto do Amor Maior


Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009


O ganso na borda do dia
Costura seu vôo por cima do mar
Faz amor com o vento
E o sol, por magia
Toca suas penas querendo dançar
E dança na lua a tal profecia
Que faz de dois corpos um corpo a voar
E faz do seu vôo dança e magia
E marca no dia a pintura que riscou no ar

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Eu...........

....rio dos que pensam que podem me prejudicar,

eles não sabem quem eu sou,

não sabem o que eu penso,

não podem nem sequer tocar as coisas que são realmente minhas

e com as quais eu vivo,

prefiro afrontar o mundo servindo a minha consciência,

a enfrentar a sua consciência para ser agradável ao mundo

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ausência Necessária

Se alguém perguntar por mim, diga que eu fui por ai, levando um violão debaixo de meu coração.
Fui sentir o vento, gritar no alto, viver os momentos
Meu sentimento ficou no caminho, abri as portas e fui sem rumo.

Parei o relógio, me desfiz de mim mesmo, fiz a minha própria história
Peguei a estrada, conquistei minha própria morada
Às vezes fiquei feliz, outras nem tanto
Mas percorri caminhos, que ninguém acreditaria, se eu contasse.

Constitui amores, fui alvo também de rumores
Desapeguei-me de tudo.
Mas quando me deitei em berço
Senti tanta falta da loucura que percorria em mim